terça-feira, 23 de setembro de 2014



Hoje ensinaram-me o verbo procurar.
E, procurei-te em toda a parte.
Numa hipótese, na enciclopédia apaixonada de emoções.
Vi as palavras tímidas.
(Sorrisos abafados por parágrafos de vergonha!)

Passeei pelas páginas puras perante a paixão,
Rebuscando em cada personagem, atos,
Desejos, inspirações de segredos teus,
Que me contaste enquanto sonhavas em sono pérfido.
Olvidei a razão do olhar preterido,
Como quem levanta uma toalha sem ela acordar.

Talvez, eu e tu sejamos sementes ainda por descobrir.
Talvez, tu e eu sejamos rebentos ainda por decretar.
Talvez, sejamos nada aos olhos de quem não vê
Talvez, sejamos meros mendigos mendigando a felicidade!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014





Carril da vida em paisagem comovente
Pelo fado seguido em sentido como tu.
Será sempre gélido nesse julgar
De ser usado, em forma de valor posposto.
Mil olhares passam ouvindo esse cheiro
De Tejos, de Douros ou coisas que ouço falar
Generalizando valores que se despediram.
És inconcebível,
Arrogante e ultrajante na separação dos que se amam,
Dos Filhos das mães que choram,
Na última tristeza por eles pensada.
Fumam sobre ti o cigarro preto que desmaia em pura cobardia,
pela falta de cor.
Vejo o segundo, agarro o minuto, choro a hora
E tu continuas íntegro.
Saberás o caminho em noite fria sem lua?

quinta-feira, 11 de setembro de 2014


Mulher de excelência em riso rútilo
Esconde a dor no baú que lhe serve de aconchego.
Por êxtase da vida ou
Embriaguez de traições oldivadas,
Ignora a sua vida em alfazemas de jardins em cultivo.
Ilusão esperançada de cama vazia,
Sente o cheiro do outro tempo.
(A felicidade do tempo retocada pelo pó)
Penteia-se de perfumes com aromas de instantes de urze.
Casos passageiros perpassam no retrato
sabendo o que quer e quem quer,
Querendo secar a lágrima que me fascina.
Vende a elegância em estátua de Vénus.
Talvez eu tente parafrasear Camões
Escrevendo-te como quem beija
Em face escrita de versos apaixonados.
Amor errante em erro de pecado,
Alguém que me perca se me souberes achar.
Amor pressentido em rio bonançoso
Alguém que me afogue se me souberes salvar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014





Sopras ao vento na tarde sem relógio
Simplesmente a flor descansa no ombro fascinado
Ali, uma Rosa ouve a liberdade da noite que se avezinha
No qual, o jardim corado envolve seres desprendidos,
Como quem da um beijo a um pequeno rebento.
Apaixonei-me pelo Sol.
O Vento seduz a minha vontade libertina.
Aquela culpa será tua se me aproximar
Pedindo a água que nos ajude a navegar.
Vou regar a flor, o jardim platónico
Que nos faz olhar em nossa volta.




Gentes de outros tempos.
 
Feudais mansos requisitados em reverência do erro
Foram isto, foram tudo aquilo em qualquer coisa gasta
Foram arrogantes de punho, arrogantes de riqueza,
Na maior consternação de sempre.
 
Julgaram-se imortais, talvez tépidos com o tempo externo.
Inócuos ao ar que desagrada qualquer um.
 
Oh Humildade !.

  Foste inaudita para estes seres.
Porém, olham-se lado a lado,
Patamar a patamar em grito de estatuto.
Fazem-se fazer famintos do fado
Sentindo-se ruborizados pelo trato de igual termo,
Numa Porventura onde perderam a razão em vida.
Nada a reiterar.


domingo, 7 de setembro de 2014



Porventura que morra na minha escassa vida
Na data abraçada ao calendário que tentam apagar.
Quem sabe se viva no vento sobre a morte
Em efémera duração que tentam ocultar.

Porventura que adormeça em tépido rio
Jangada escrita de carvalho natural,
Quem sabe acorde em gélido pensamento, sem frio.
Sonhando estar algures em paraiso de Portugal.

Porventura que cegue fechando os olhos à paisagem
De erguida cabeça em impérfida paixão
Quem sabe se me matará o amor deitado em leito
Numa sina expressa em poema de visão.

Porventura que a minha vida escape à morte
Sentimento iluminado pelo candelabro angustiado
Quem sabe se os poemas escapem à falta de sorte
Talvez sejam lidos sobre a sepultura em desejo saciado

Porventura que feche os olhos em plena solidão
Promovido como o tenente em campo de batalha perdida
Alguém que ouça a voz abafada em multidão
Como quem corre deitado em pura avenida

Porventura que enrouqueça a decrépita voz
Em olhar repleto de puro presságio
Decompondo-me no revelo que atraca na foz
Leitura oldivada pelo ignóbil adágio.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014


Pedra solitária.
Visão de crianças correndo.
(são os diamantes da vida !)
Em cada dia após dia és ignóbil
Nessa imensidão empedernida.
Quem te nasceu nessa nobre posição
Seria nobre em equação canónica.
Espantosa em paciência de verso,
Açambarca o nome em tarde repleta.
Ouve ecos de impedância.
O sol foge de ti,
Como tu foges da sombra.
A relva louva um gosto a comensalismo
Rindo-se em metáfora escrita.
Quem semeie esse sentido em vão
Sortudo será se souber sentir.