É pelo “ querer” de Deus,
Que vives no fado.
É pelo sonho do Homem,
Que te ama a nossa Pátria.
É pelo nascer da Obra,
Que és rainha da Nação.
Foi por vontade de um povo,
Que a tua voz se ouve
Nessa longa vida perdida,
Encontrada entre a multidão.
Rainha do fado te aclamam,
Nesse destino teu independente.
Tens como aias as guitarras.
Croa feita de cordas vibráteis.
Coração magoado,
Atromentado na ânsia da visão.
Temes com o que sonhas,
Sonhando com uma vida
destemida.
Deus, Pátria, Nação.
Desta frase o povo te fez poetisa,
Acusam-te de abraçares aquele,
Que embriagou o povo numa liberdade reprimida.
Esperas a tua partida,
Escrita em cada verso de fado.
Bebes do rio lavado pelo povo.
Inspirando-te com o copo de urze de lama.
Contas as tábuas do caixão,
Que teima em desintegrar-se...
Talvez vivas eternamente,
Num presente sem fim aparente !
Amália, três vezes agradecemos:
Muito Obrigado pela voz de todos nós,
Muito Obrigado pelo grito em forma de arte,
Muito Obrigado pelo viver de morte desaparecida.

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