sábado, 30 de agosto de 2014





Nunca soube escrever poesia,
Porque não sei conjugar versos em estrofes.
Nem rimar com palavras vindas da maresia,
Amores resultantes de pensamentos filosofes.

Nunca soube ler um poema,
Porque não entendo aquelas palavras estranhas .
Nem aquele estilo de confusões tamanhas,
Manias perdidas, dores de noema.

Nunca soube que não o sabia,
Escrever, expessar-me de forma sádia.
Pintar-me em desabafos da vida,
Riachos, marés vividas na morte de
herbicida.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014




É doce de travor seco saboreado
Sonhado em cálice resplandecente.
É ingénuo no seu nobre caminho molhado.
Sabe sem saber onde vai permanecer em mente.

Em cada lágrima repleta de suor diminuto 
Endeusa um brilhar lá de cima.
Do rosto velho, que açambarca o fruto
Que finda no lagar, onde o mosto de torna o seu clima.

Ressaca Lusitana,
No vão de uma alegria invejada pelo Guadiana,
Nasce no Douro,
Casa-se no Porto,
Sendo o nosso mais trivial Tesouro,
Desfalece num mundo, algures Morto.

És grande, enfim, Vinho do Porto!


quinta-feira, 28 de agosto de 2014



Não sei.

Nunca soube a razão de tal Apelido.
Quem te deu tal nome?
Lavradeira, certa, num campo tórrido.

Vives entre o trigo, semeado no olhar
Plantado, do vislumbre de fado.
Serás sempre abençoada pela mão de Deus,
respeitada talvez,
No choro da Inópia afrontada.
 
Todos os dias são teus,
Desde o nascer que te governa,
Até à ínfima paisagem que te liberta.

Pode haver quem se ache superior.
Serás aos seus ouvidos Inferiores, a sua repleta ignorância.
São os “sábios” da vida.
Tomam-se como ricos da sementeira.
Numa pobre coitada pobreza, nunca se transcendendo,
Do mero indumento assinado.

Mas, tu serás sempre rica, por muito pobre que sejas!
És o fardo da vida.

Quase que me colhias nesse sexto sentido,
Onde a foice corta num sonho perdido.

terça-feira, 26 de agosto de 2014





Quem sabe se me entregue  ao Douro
Como quem lavra num campo triunfal
Cercado em impérfido  tesouro
Pastor do rio mais nobre de Portugal.

Quem sabe se adormeça nas suas margens,
Deitado em patamares da sua vida.
Recordando no sol, vendo imagens,
Desta grande viagem aqui perdida.

Quem sabe se traia a minha vivência,
Cegando  pelo sol que se maquilha  na água
Nadando neste doce arquivo como penitência.
Secando dentro de ti a minha mágoa.

Quem sabe se escreva este poema,
Como forma de te honrar.
Nascido na uva de videira 
doce alfazema,
Deixando de viver para eternamente te contemplar.







Apaixonei-me pelo medo da vida,
Enlouquecendo-me pela paixão.
Tenho medo, muito medo.
Medo de loucura, suspiros de versos,
Repletos de sentimentos sentidos.
 
Quando me adormeço
O móvel que fala perturba a razão.

Tenho medo da escrita.
Não pelo fim em si mesmo,
Todavia pelo motivo que leva a esse fim.
 
Afogo-me na solidão do poema,
Estando tão só quanto eu.
Um vaivém de memórias,
Que por cedo o silêncio me embala.

Gostava de adormecer!
Ser normal dentro de toda esta anormalidade,
Gritando pela salvação da dor que está dentro de mim.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014








Tem um olhar engraçado,
Visão repleta, amor sentido na escuridão.
Faz se parecer olhando na juventude,
De um espelho verde cristal.

Esconde a idade nos dedos macios,
Vivendo feliz na procura,
de quem procura o que não se alcança.

Agarra a Janela, movimentada pela brisa,
Refletindo o vermelho repleto de  olhar.
Numa vogal, consoante, palavra ou frase,
Atrai a simples gaivota que olha os pequenos.

Coração timidamente
Apaixonado pela tristeza do por do sol,
vive na tentação.
Quem sabe, julgada por ninguém.

Amor que fizera em segredo,
Gritos transpirados no escuro esbranquiçado das paredes.

Dois olhos miram a chuva numa sentença passageira,
onde a Jovem de mármore de pretexto, sem texto algum,
faz escrever cartas em vão, linhas perdidas no horizonte.

Vive numa elegância de marfim,
Um sorrir de ouro-rosa pérola.