terça-feira, 26 de agosto de 2014





Quem sabe se me entregue  ao Douro
Como quem lavra num campo triunfal
Cercado em impérfido  tesouro
Pastor do rio mais nobre de Portugal.

Quem sabe se adormeça nas suas margens,
Deitado em patamares da sua vida.
Recordando no sol, vendo imagens,
Desta grande viagem aqui perdida.

Quem sabe se traia a minha vivência,
Cegando  pelo sol que se maquilha  na água
Nadando neste doce arquivo como penitência.
Secando dentro de ti a minha mágoa.

Quem sabe se escreva este poema,
Como forma de te honrar.
Nascido na uva de videira 
doce alfazema,
Deixando de viver para eternamente te contemplar.

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