sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Conde da Recordação

Foto: Hoje na planicie do sonho,
Aquando a noite acordada,
Visitei esta quinta.

O portão enferrugado se encontra
No recondito da minha memória.
As escadas polidas,
Espelham as gravuras que me cegam
A cada patamar súbido.
E no patamar da vírtude,
O brasão, que escrito fora por mãos vivas
Em forma de verso secular,
Agora tenta apagar-se !

Alguém veio à porta.
De certo uma sombra construida aos olhos da visão.

Entro, sem ter necessariamente que entrar !
Os quadros descaidos, nas paredes sangradas,
Pelo sangue da humidade da emoção,
Fazem-me ver as mãos num momento impreciso
Que Beijaram as mesmas.

No quintal,
Nesse ou neste triste quintal,
Existe somente o vazio num todo.

O tanque dos sonhos saudosamente secou.
Os crisântemos da emoção,
Iludidamente se entregaram.
As roseiras bravas,
Brandamente se molestearam.
Uvas que douradas foram como ouro da frescura,
Hoje são cinzentas.
No lagar ainda se ouve o eco das vozes,
Ao redor da vida prensada no seco sumo,
Da amargura da morte.
E os malhais que em tempos mostravam o seu vigor de invejar,
Renderam-se ao esforço de viver !
Apodreceram na cobardia.
Porém, as uvas apenas dão tinta,
Para esboçar este lamentável nobre tinto.

Debalde, quem ali esta ou esteve,
Não sou eu nem o sujeito do meu ser e escrever,
Antes o cadáver da criança que em tempos correra,
Hoje no cemitério da infância,
Ontem na maternidade da alegria educada pela feicidade.

Porque razão não me mantive sempre assim ?!
Pela mesma razão que a vida acaba.

Iludidamente estaria vivo,
Brincando com o gato que mia na surdez.
Somente o seu cadáver me faz presença.

Vozes indentificadas através do sentir,
Chamam a minha “ criança” à calorosa mesa,
Que fria se encontra!
A mesa dos condes adormecidos
No tempo da euforia e da autêntica vida,
Inconsciente felicidade,
Este era o local da turtulia da amizade !
Neste presento em que vivo,
Nada mais é que a maçonaria
Dos sindicalistas da vida inacabada.

Outros “ eus “ que fizeram parte da minha pessoa,
Vem ter comigo interrogando o “ eu “ do meu cadáver.
Estará assim o meu triste finado tão decomposto ?.

Este deconhecido no conhecimento da razão,
Quase que me matara !
Bastaria para isso que estivesse vivo !

Quando fui embora o portão não abriu.
Talvez o repuxo da memória que ali queira repousar....
E num ápice a mesmíssima sombra,
No sonhado da conversa interrogou me quem seria.
Alucinadamente respondi :

“ Hoje qui çá seja um nada,
Que no passado foi um pequenino tudo.
Hoje no inculto da sabedoria,
Sou o cadáver da criança que aqui correu,
Viveu e morreu.
Agora aplidado “ Conde da Recordação “.
 
 
 
Hoje na planicie do sonho,

Aquando a noite acordada,

Visitei esta quinta.


O portão enferrugado se encontra

No recondito da minha memória.

As escadas polidas,

Espelham as gravuras que me cegam

A cada patamar súbido.

E no patamar da vírtude,

O brasão, que escrito fora por mãos vivas

Em forma de verso secular,

Agora tenta apagar-se !


Alguém veio à porta.

De certo uma sombra construida aos olhos da visão.


Entro, sem ter necessariamente que entrar !

Os quadros descaidos, nas paredes sangradas,

pelo sangue da humidade da emoção,

Fazem-me ver as mãos num momento impreciso

Que Beijaram as mesmas.


No quintal,

Nesse ou neste triste quintal,

existe somente o vazio num todo.


O tanque dos sonhos saudosamente secou.

Os crisântemos da emoção,

iludidamente se entregaram.

As roseiras bravas,

brandamente se molestearam.

Uvas que douradas foram como ouro da frescura,

hoje são cinzentas.

No lagar ainda se ouve o eco das vozes,

ao redor da vida prensada no seco sumo,

Da amargura da morte.

E os malhais que em tempos mostravam o seu vigor de invejar,

renderam-se ao esforço de viver !

Apodreceram na cobardia.

Porém, as uvas apenas dão tinta,

Para esboçar este lamentável nobre tinto.


Debalde, quem ali esta ou esteve,

não sou eu nem o sujeito do meu ser e escrever.

Antes o cadáver da criança que em tempos correra,

hoje no cemitério da infância,

outrora maternidade da alegria educada pela feicidade.


Porque razão não me mantive sempre assim ?!

Pela mesma razão que a vida acaba.


Iludidamente estaria vivo,

Brincando com o gato que mia na surdez.

Somente o seu cadáver me faz presença.


Vozes indentificadas através do sentir,

Chamam a minha “ criança” à calorosa mesa,

Que fria se encontra!

A mesa dos condes adormecidos

No tempo da euforia e da autêntica vida,

Inconsciente felicidade,

Este era o local da turtulia da amizade !

Neste presento em que vivo,

Nada mais é que a maçonaria

Dos sindicalistas da vida inacabada.


Outros “ eus “ que fizeram parte da minha pessoa,

Vem ter comigo interrogando o “ eu “ do meu cadáver.

Estará assim o meu triste finado tão decomposto ?.


Este deconhecido no conhecimento da razão,

Quase que me matara !

Bastaria para isso que estivesse vivo !


Quando fui embora o portão não abriu.

Talvez o repuxo da memória que ali queira repousar....

E num ápice a mesmíssima sombra,

No sonhado da conversa interrogou me quem seria.

Alucinadamente respondi :


  Hoje qui çá seja um nada,

Que no passado foi um pequenino tudo.

Hoje no inculto da sabedoria,

Sou o cadáver da criança que aqui correu,

Viveu e morreu.

Agora aplidado “ Conde da Recordação “.
 
 
Ricardo Daniel Pinto

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