Ontem fomos duas flores em Jardins dístantes.
Eu no jardim da Invicta,
Tu no jardim da cidade dos estudantes.
Por culpa do vento do norte ou
pelo ritmo do fado de Coimbra,
viajámos ao sabor destes elementos.
Fomos semeados num profano comum.
Semeados e não plantados.
Entre o semear e o plantar existe a verdadeira diferença !
Se na primeira se nasce do nada
na segunda poder-se-á nascer já do tudo !
Tudo depende da sua qualidade.
De Flores superamo-nos surgindo
como Oliveiras na adolescência em fase de crescimento.
E tanto que nos entusiasmamos segundo
a lei do mais forte que rege a natureza,
que os nossos Ramos chegaram-se a tocar.
Em breves instantes quase que se entrelacaram.
Porém, devido ao olhar opressor do resto do campo
Os ramos partiram não resistindo à força de viver.
A água cristal raiando o emoção do sol,
foi desviada por caminhos angulosos.
Quase que secávamos na sede do viver !
Contudo ainda me corre na seiva,
a esperança de um dia voltarmos
a sementes de oliveira capaz do nada
gerar o mais deslumbrante Olival.
Ricardo Daniel Pinto

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