domingo, 7 de setembro de 2014



Porventura que morra na minha escassa vida
Na data abraçada ao calendário que tentam apagar.
Quem sabe se viva no vento sobre a morte
Em efémera duração que tentam ocultar.

Porventura que adormeça em tépido rio
Jangada escrita de carvalho natural,
Quem sabe acorde em gélido pensamento, sem frio.
Sonhando estar algures em paraiso de Portugal.

Porventura que cegue fechando os olhos à paisagem
De erguida cabeça em impérfida paixão
Quem sabe se me matará o amor deitado em leito
Numa sina expressa em poema de visão.

Porventura que a minha vida escape à morte
Sentimento iluminado pelo candelabro angustiado
Quem sabe se os poemas escapem à falta de sorte
Talvez sejam lidos sobre a sepultura em desejo saciado

Porventura que feche os olhos em plena solidão
Promovido como o tenente em campo de batalha perdida
Alguém que ouça a voz abafada em multidão
Como quem corre deitado em pura avenida

Porventura que enrouqueça a decrépita voz
Em olhar repleto de puro presságio
Decompondo-me no revelo que atraca na foz
Leitura oldivada pelo ignóbil adágio.

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